Calo-me cheia de mistério Torno a face ao meridional, pálpebra cerrada É pra achar que fujo do teu julgo, Sei que teus olhos apaixonados não veem a errata Ouço às vezes seus sussurros na alvorada Lembrança de soluções febris e taciturnos Paixão vezes branda, vezes profana Ludibriados noturnos, sonhos noturnos Carimbei na memória teu olhar A mesma manhã nublada A mala da viagem O lascivo aroma do almíscar Enquanto uma xícara do teu veneno era suplicada Nascia no quintal a bromélia selvagem.
Dúvidas de outubro As interrogativas semanas de juventude Em noites perdidas de insônia ou volúpia Quando se tem todo futuro pela frente, em tempo vem temor do tempo escorrer pelas mãos Terror! Tudo será em vão? Tanto sacrifício Pra descobrir o sacrilégio de que tudo é Um grande faz de conta Nascemos sabedoria, padecemos loucura E se por medo do fracasso o leitor Já se exauriu em lágrimas, a outra estrofe da anedota o fará desfalecer C O R A Ç Ã O! Que por si só já é matéria complexa Faz os homens lançarem-se abismados Reis renunciarem, menes poderosas em nostálgico sopro voltarem ao passado glorioso das primeiras virgens Mas quando o poeta ama, é metalinguagem! Flagelos de uma promessa devota do sacerdócio literário, "se possível, afasta de mim esse cálice" Enquanto duvidosa a desgraça, duvidosa também a esperança!
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